Redescoberta em 2011, Aenaria, na ilha de Ísquia, Itália, ressurgiu depois de escavações e sugeriu uma intensa relação com o Império Romano. O turismo, então, valoriza descobertas subaquáticas e tem atraído curiosos para explorar a história submersa.
A cidade, que ficava próxima ou na própria ilha chamada de Pithekoussa, era parte da área do Golfo de Nápoles, uma região colonizada pelos gregos séculos antes de Cristo.
De acordo com o texto do naturalista romano Plínio, o Velho, e do historiador Estrabão, o nome da cidade era citado ao narrar eventos militares. No entanto, se tornou lenda por séculos até ser redescoberta.
Até a última década, Aenaria era conhecida apenas como sinônimo para a ilha de Ísquia moderna. Isso não incluía uma cidade ou assentamento romano completo.
Antes da descoberta, os historiadores apenas conheciam que os romanos tomaram Pithecusae dos gregos e a rebatizaram, algo que foi documentado nos textos dos filósofos e escritores da capital italiana.
Por haver poucos indícios da presença dos exércitos dos césares, acreditava-se que os romanos nunca tinham se fixado na região, de forma concreta, mesmo após a conquista.
Foi então que marinheiros encontraram, em 2011, a cidade perdida de Aenaria. A descoberta ocorreu ao seguir as pistas de dois mergulhadores que encontraram cacos de cerâmica romana em 1972 próxima à costa leste de Ísquia
Afinal, eles buscaram a escavação ao fundo do mar 40 anos depois, quando marinheiros encontraram as ruínas de um enorme cais romano.
Ele estava enterrada a dois metros de profundidade do solo vulcânico. De acordo com o jornal italiano La Repubblica, moedas, ânforas (espécie de vaso), mosaicos, casas e até os destroços de um navio de madeira estavam nessas ruínas.
Diferente de Pompeia, soterrada por cinzas e outros detritos vulcânicos, Aenaria teria sofrido com os tremores de terra do vulcão Cretaio, que se seguiram e a afundou na Baía de Cartaromana. Por outro lado, não há documentação.
Além disso, encontraram nas ruínas evidências de um ancoradouro, segundo o arqueólogo Giorgio Buchner, que participou das primeiras buscas por Aenaria em 1972.
Diante desse contexto, pesquisadores acreditam que Aenaria era uma parada de intenso tráfico comercial para os romanos, de acordo com o Museu Arqueológico de Pithecusae.
Essas pesquisas são realizadas por um grupo liderado por Giulio Lauro, morador de Ísquia e fundador da Marina di Sant'Anna (o braço cultural da cooperativa turística Ischia Barche), e a arqueóloga Alessandra Benini.
Assim, próximo ao local onde o navio naufragou, encontraram, em 2020, um equipamento naval dos romanos e balas de chumbo. Isso, de certa forma, sugere que o assentamento pode ter sido também uma base militar no Golfo de Nápoles.
Foram encontradas também 142 variantes de cerâmica nas ruínas, de 12 postos de produção no Mediterrâneo: da Campânia (sul da Itália) ao Levante (Oriente Médio)
O chumbo, por sua vez, veio da Espanha, algo que mostra a profunda ligação e importância de Aenaria para o Império Romano
Pesquisas contínuas revelaram também um vilarejo vizinho e evidências de que Aenaria, realmente, foi uma importante cidade portuária, sofreu uma erupção vulcânica entre os anos 130 e 150 d.C.
"Achamos milhares de mosaicos de azulejo, além de telhados, pentes de madeira, agulhas para conserto de redes de pesca, gesso decorado. Estes objetos não são apenas relacionados ao navio ou comércio. Eles sugerem uma área residencial", disse Benini à rede britânica.
No verão europeu, novas buscas pelo assentamento romano são feitas. Turistas levados por Marina di Sant'Anna e Ischia Barche em barcos de casco de vidro, além de mergulhadores que se aproximam para conhecer as ruínas.
Nesse sentido, a cooperativa apresenta um vídeo 3D, junto a artefatos e areia do assentamento antes do início do tour pelo local, que tem atraído cada vez mais visitantes.
Assim, eles podem imaginar como a cidade perdida de Aenaria foi construída através de sua reconstrução. Uma descoberta, que traz a possibilidade de explorar um passado submerso e torna a ilha de Ísquia um destino turístico que intriga os visitantes.
Um tour arqueológico por Aenaria, cidade submersa da Itália, pode custar de 30 euros (R$ 194) a 240 euros (R$ 1.553).
Aenaria oferece uma experiência única para quem deseja conhecer um sítio arqueológico romano em um ambiente aquático, além de ser uma oportunidade de apreciar a beleza da ilha de Ísquia e suas águas.
Atualmente, a cidade submersa pode ser visitada por meio de passeios com barcos de fundo transparente, mergulho com snorkel ou mesmo nadando com máscara.