A família de Preta Gil marcou o velório da cantora, no Rio de Janeiro. Vai ser no Theatro Municipal, como ela desejava. Na sexta-feira (25/7), das 9h às 13h, aberto ao público. Celebraremos sua vida, arte e legado.

O Theatro Municipal fica no Centro do Rio de Janeiro, numa área onde Preta costumava arrastar multidões com seu bloco carnavalesco. Outro pedido da cantora foi que o corpo fizesse o cortejo num trio elétrico.

A cantora morreu no domingo (20/7), após passar mal dentro da ambulância a caminho do aeroporto, de onde embarcaria para o Rio de Janeiro.

Ela estava nos Estados Unidos, onde fazia um tratamento experimental para combater um câncer no intestino.

Apesar do otimismo recente da família com o tratamento, uma súbita piora em seu estado de saúde impediu o retorno ao Brasil.

Antes do tratamento nos EUA, Preta enfrentou mais de dois anos de cirurgias, quimioterapia, radioterapia e internações no Brasil.

Preta tinha 50 anos. Nascida em 8 de agosto de 1974, no Rio de Janeiro, Preta Maria Gadelha Gil Moreira era filha do cantor Gilberto Gil e da empresária Sandra Gadelha.

Preta cresceu em um ambiente musical e culturalmente rico, influenciada pelo trabalho de seu pai, um dos maiores nomes da música brasileira e ícone do movimento tropicalista.

Preta iniciou sua carreira artística em 2003, com o lançamento de seu primeiro álbum, "Prêt-à- Porter".

A capa do disco, que a trazia posando sem roupa, gerou polêmica na época, mostrando desde cedo sua postura disruptiva.

Preta ficou conhecida por músicas que falavam abertamente sobre amor, autoestima e empoderamento feminino.

Sua carreira foi marcada pela defesa da liberdade de expressão, pela quebra de tabus e pela luta contra o preconceito.

A artista se tornou um ícone da comunidade LGBTQIAPN+ no Brasil, frequentemente presente em eventos como a Parada do Orgulho LGBT+.

"Sinais de Fogo", "Só o Amor", "Decote", "Stereo", "Que isso neguinho?" e "Meu Xodó" foram só algumas das suas músicas de sucesso.

Além da música, Preta também atuou em novelas e séries da TV Globo, como "Agora É Que São Elas", de 2003, "Ó Pai, Ó", de 2008, e "Ti Ti Ti", de 2010.

Preta também se consolidou como um grande nome do carnaval carioca com o "Bloco da Preta", criado em 2009, que arrastava milhares de foliões pelas ruas do Rio de Janeiro.

Além de tudo, Preta Gil foi uma das fundadoras e sócia-diretora da Music2Mynd, uma agência de marketing de influência e entretenimento.

A agência desenvolveu projetos para diversos artistas e influenciadores, conquistando o Prêmio Caboré em 2019 na categoria Serviços de Marketing.

Em 2024, em comemoração aos seus 50 anos, Preta lançou a autobiografia "Preta Gil: os primeiros 50", na qual compartilhou detalhes de sua infância, descobertas, conquistas, além de abordar temas delicados como o fim conturbado do casamento com Rodrigo Godoy.

Preta foi casada por dois anos com o ator Otávio Müller, com quem teve seu único filho, Francisco Gil, nascido em 1995.

Preta também foi casada com o mergulhador Carlos Henrique Lima e, posteriormente, com o professor de educação física Rodrigo Godoy, entre 2015 e 2023.

Após o término, Preta revelou que havia sido traída por Rodrigo enquanto fazia sessões de radioterapia e quimioterapia.

Ao longo de sua vida, a cantora sempre promoveu a aceitação do corpo e o combate a diversos tipos de preconceitos em suas redes sociais.