Beth Goulart celebra 50 anos de carreira com o monólogo Simplesmente eu, Clarice Lispector, em cartaz no Teatro Fashion Mall, no Rio de Janeiro, até 8 de outubro, de sexta a domingo. No espetáculo, ela dá vida à escritora e a quatro de suas personagens, além de assinar a direção e concepção da peça.

"Clarice nos surpreende em todos os momentos, porque tem uma literatura muito potente e nos faz ter novos olhares todos os dias... A passagem da escrita para o palco aconteceu quando deixei suas palavras ganharem corpo, forma, movimento", disse Beth, fã da escritora.

Clarice Lispector não inspira apenas os brasileiros. Recentemente, a atriz Cate Blanchett, vencedora do Oscar por “Blue Jasmine” e “O Aviador”, disse que a escritora é uma de suas fontes de inspiração.

Em discurso no Festival de Cinema de San Sebastián, na Espanha, a atriz australiana declarou que encontra reflexões importantes em leituras de obras de Clarice e a definiu como uma autora genial.

A atriz citou pensamentos que estão na crônica “Diálogo do Desconhecido”, texto que integra uma coletânea presente no livro “A Descoberta do Mundo”, lançado em 1984.

Blanchett mencionou Clarice após receber o Prêmio Donostia pelo conjunto de sua obra como atriz. A honraria foi entregue à atriz pelo diretor mexicano Alfonso Cuarón.

Uma das maiores escritoras brasileiras do século 20, Clarice Lispector nasceu na Ucrânia em uma família de origem judaica, no dia 10 de dezembro de 1920.

Em 1922, Clarice migrou com a família para Maceió, após um período na Romênia. Os pais da futura escritora fugiram do antissemitismo na Europa e também da fome.

No Brasil, todos os integrantes da família adotaram nomes portugueses. Foi nesse momento que Chaya Pinkhasovna Lispector se tornou Clarice Lispector.

Aos 20 anos, Clarice já era órfã de pai e mãe e estava envolvida com as letras. Em 1940, publicou “O Triunfo”, sua primeira criação de que se tem notícia.

Com apenas 21 anos, a autora publicou “Perto do Coração Selvagem”, livro que rendeu a ela o prêmio Graça Aranha.

Entre 1943 e 1959, Clarice Lispector foi casada com o diplomata Maury Gurgel Valente e viveu fora do Brasil, retornando ao Rio de Janeiro após a separação.

Em 1963, a autora publicou sua obra de maior impacto, “A Paixão Segundo G.H”. No romance, a narradora-protagonista, identificada apenas pelas iniciais G.H., passa por um experiência transformadora após encontrar uma barata morta.

Com uma personalidade misteriosa, que atraía admiradores, Clarice também escreveu artigos para o Jornal do Brasil que a tornaram popular ao tratar de temas pessoais. Seu cachorro Ulisses, citado nos textos, ficou conhecido e faz parte de uma estátua qda escritora no Leme, no Rio de Janeiro.

Um dos episódios mais dramáticos da vida de Clarice quase resultou em sua morte. A escritora dormiu com um cigarro na boca, situação que provocou um incêndio em seu apartamento.

Após ser resgatada com parte do corpo queimada, ela passou três dias internada em estado grave, mas conseguiu sobreviver.

O acidente tirou de Clarice parte dos movimentos da mão direita. Por isso, a autora passou a contratar assistentes para auxiliá-la na passagem de ideias para novos livros.

A última obra de Clarice foi “A Hora da Estrela”, que narra a história de Macabéa, alagoana que migra para o Rio de Janeiro. Em 1985, o livro foi adaptado para o cinema sob direção de Suzana Amaral e com Fernanda Montenegro no elenco.

Clarice Lispector morreu em 9 de dezembro de 1977, aos 57 anos, devido a um câncer de ovário. Ela foi enterrada no cemitério do Caju.