As praias de Guardamar del Segura, no sudeste da Espanha, precisaram ser interditadas por dois dias após ser detectada a presença de duas lesmas marinhas venenosas.

Apesar de medirem apenas 3 cm, essas lesmas, conhecidas como “dragões azuis”, são capazes de paralisar animais com 300 vezes o seu tamanho.

Isso porque os dragões azuis conseguem absorver e potencializar o veneno das águas-vivas.

“O contato com esse animal marinho pode ser perigoso e provocar queimaduras doloridas na pele”, explicou a força policial de Guardamar.

Dois exemplares da lesma marinha foram encontrados na Praia de Vivers, que fica em Guardamar del Segura, Alicante.

As autoridades alertaram os banhistas para terem "cuidado extremo" e orientaram que, em caso de queimadura, deve-se lavar a região com água salgada e procurar atendimento médico imediatamente.

Mais comum no Atlântico e no Pacífico, o surgimento dessa espécie é considerado raro no Mediterrâneo.

Em julho, seis exemplares de dragões azuis foram encontrados na areia da Praia de Famara, em Teguise, Lanzarote.

Na ocasião, a praia também foi fechada e as autoridades alertaram para a possibilidade de haver mais desses animais na água.

O Brasil também não está livre da presença dos dragões azuis. Em abril de 2025, um exemplar morto do molusco foi encontrado na Praia do Guaraú, litoral sul de São Paulo.

Em entrevista, a pesquisadora Gemany Caetano, que foi quem encontrou o animal, disse que ele costuma viver em mar aberto, afastado da costa, o que torna sua aparição rara.

Segundo ela, ele pode ter surgido na costa por conta dos fortes ventos registrados em Peruíbe naquela época do ano.

“Por ser um animal que não vence a força das correntezas marinhas e ventos fortes, ele é levado para direção onde essas forças se direcionam", comentou ela.

Outro caso de surgimento de dragões azuis aconteceu na praia de Riacho Doce, em Maceió, em maio de 2021.

De acordo com o professor Cláudio Sampaio, da Universidade Federal de Alagoas, os animais foram arrastados até a praia pelos ventos.

A lesma-do-mar Glaucus atlanticus é um molusco gastrópode marinho pertencente ao grupo dos nudibrânquios.

Além de flutuar livremente na superfície do mar graças a uma bolsa de ar em seu estômago, essa lesma apresenta uma simetria invertida, com o lado dorsal voltado para baixo.

Essa adaptação ajuda na camuflagem, já que sua parte azul se confunde com o mar quando vista de cima, enquanto a prateada se mistura com a claridade do céu quando observada de baixo.

A dieta da lesma-do-mar consiste quase exclusivamente de criaturas maiores que ela, principalmente hidrozoários, como a caravela-portuguesa.