
Jade Hwskaier, representante do Rio de Janeiro, foi eleita vencedora da 43ª edição do Miss Brasil Gay - considerado o mais tradicional evento de beleza transformista do país .
O concurso aconteceu na noite de 23 de agosto, em Juiz de Fora, no interior de Minas Gerais.
Jade Hwskaier destacou-se em todas as etapas. Ela foi premiada como Melhor Traje Típico, com uma homenagem à entidade de Umbanda Maria Navalha.
Além disso, também venceu na categoria Melhor Traje de Gala, apresentado em azul e branco - cores inspiradas na bandeira do Rio de Janeiro.
Durante a fase de oratória, Jade afirmou, com emoção: “Eu, como uma pessoa preta e umbandista, lido com o preconceito diariamente. E eu estou aqui para dizer que o nosso mundo é tão grande e é tão bom viver”.
“É ideal que comecemos na escola, com os jovens aprendendo sobre a diversidade que é o nosso país”, completou.
Ela se posicionou como símbolo de representatividade - ao mesmo tempo racial, religiosa e de gênero.
Na classificação final, Eloyse Mello, de Santa Catarina, ficou com a segunda colocação, seguida por Letícia Andrade, do Ceará.
Eloyse Mello foi eleita Miss Júri Popular, o que a incluiu diretamente no Top 6 por voto do público.
Jhennypher Monphettiny, do Maranhão, foi eleita Miss Simpatia, um reconhecimento por seu carisma entre as participantes.
Aos 30 anos, Jade já tinha vencido outros concursos. Anteriormente, havia sido eleita Miss Maranhão Gay entre 2019 e 2022, o que sinaliza uma carreira sólida no universo transformista.
Após a vitória, ela declarou que sua missão é “continuar inspirando pessoas”, sinalizando um compromisso público com o ativismo e empoderamento de jovens LGBTQIA+.
Promovido há quase cinco décadas em Juiz de Fora - desde 1976 -, o Miss Brasil Gay tornou-se patrimônio imaterial da cidade e um símbolo nacional de resistência, arte e diversidade.
“É um ato de enfrentamento às dificuldades, sejam financeiras, de preconceito ou de direitos não reconhecidos. Por meio da arte do transformismo, reafirmamos a diversidade, o respeito e a beleza”, declarou Michel Brucce, organizador do concurso.
O espetáculo contou com performances de Sheron Corrêa, Danny Cowlt, Titiago, Andréia Andrews, Marcos Marinho e Uátila Coutinho, animado pelos apresentadores Ikaro Kadoshi e Sheila Veríssimo .
As 27 candidatas - representantes de cada um dos estados e mais o Distrito Federal — foram avaliadas em etapas de traje típico, traje de gala e oratória
O formato é semelhante ao Miss Universo. Além disso, o voto popular passou a garantir uma vaga na rodada final desde 2023 .
Criado por Francisco “Chiquinho” Mota, o concurso foi consolidado ao longo dos anos como parte essencial da cultura local e do movimento LGBTQIA+ brasileiro.
Assim, ele cumpre um papel social e turístico, gerando visibilidade, engajamento e fortalecendo a autoestima de participantes e espectadores.