A inauguração do Museu da História da Paraíba, em João Pessoa, emocionou a família de Ariano Suassuna. O novo espaço cultural funciona no Palácio da Redenção, prédio histórico onde o escritor nasceu, e conta com dois ambientes dedicados à sua memória.

A viúva, Zélia Suassuna, de 94 anos, e a filha Mariana participaram da cerimônia. O quarto onde Ariano veio ao mundo foi restaurado e transformado em homenagem, com objetos, quadrinhos e mobiliário de época que resgatam sua infância e juventude.

Ao blog Maurílio Júnior, a filha destacou a emoção de revisitar o local e o reconhecimento do povo paraibano pelo legado do pai.

"Muita alegria e emoção. É como se a gente sentisse ele vivo aqui perto da gente. Ele nasceu, nasceu mesmo aqui nesse quarto. Morou aqui nesse espaço. E aqui fica a história da Paraíba", disse. A viúva, no entanto, optou por não dar entrevista para conter a emoção.

Em 2025, aliás, completaram-se 11 anos da morte de Ariano Suassuna, um dos maiores nomes da literatura brasileira.

Suassuna morreu em 2014, aos 87 anos, vítima de uma parada cardíaca. Relembre a vida e a obra do artista paraibano!

Ariano Vilar Suassuna nasceu em João Pessoa, em 16 de junho de 1927. Ele foi um intelectual completo: escritor, dramaturgo, poeta, ensaísta, advogado e professor.

Suassuna teve uma infância marcada pela imersão na cultura do sertão paraibano, mas também por uma tragédia.

Durante a Revolução de 1930, seu pai, João Suassuna, foi assassinado por motivos políticos no Rio de Janeiro, enquanto ele era governador da Paraíba.

A família Suassuna então resolveu se mudar para o sertão pernambucano, onde Ariano cresceu e desenvolveu um amor profundo pela cultura popular nordestina.

Ariano Suassuna se formou em Ciências Jurídicas e Sociais em 1950, pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mas nunca exerceu a profissão, pois ele se dedicou integralmente à literatura e ao teatro.

Em 1955, ele escreveu sua obra-prima, o Auto da Compadecida, peça teatral que reinterpreta a história de Jesus Cristo em um cenário sertanejo, utilizando personagens populares como João Grilo, Chicó Chicó e Catirina.

A peça foi um sucesso estrondoso, se tornou um marco na dramaturgia brasileira e deu origem a um dos filmes brasileiros mais admirados de todos os tempos, "Auto da Compadecida", lançado em 2000.

Em 1970, Ariano Suassuna foi um dos fundadores do Movimento Armorial, que buscava a valorização da cultura nordestina e a criação de uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular.

Suassuna ficou mais conhecido por suas peças teatrais, que misturam elementos da comédia, tragédia e do folclore nordestino.

Além de o "Auto da Compadecida", algumas de suas obras mais importantes são "O Santo e a Porca" (1957) e "A Pena e a Lei" (1959).

Além do teatro, Suassuna também escreveu romances e ensaios. "Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta" (1971) mistura realidade e fantasia, narrado por um personagem que vive entre o sonho e a realidade do sertão nordestino.

Já "História d'O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão/Ao Sol da Onça Caetana" (1976) é a continuação do "Romance d'A Pedra do Reino", explorando ainda mais a mitologia e o folclore nordestino.

Suassuna também atuou como professor e palestrante na Universidade Federal de Pernambuco de 1957 a 1994, onde influenciou e inspirou diversas gerações de escritores e artistas.

Além disso, o artista recebeu inúmeros prêmios ao longo de sua carreira, incluindo a Medalha de Ouro da Associação Brasileira de Críticos Teatrais (1957) e o Prêmio Nacional de Ficção (1973).

Mesmo 10 anos após sua morte, Ariano Suassuna permanece vivo como um dos maiores representantes da cultura brasileira, um autor que fez questão de defender a importância da cultura popular para a identidade nacional.

Até hoje, a obra de Ariano Suassuna continua viva e atual, sendo estudada e apreciada por leitores e estudiosos de todo o país.

Em sua vida pessoal, Ariano Suassuna foi casado com Zélia de Andrade Lima, com quem teve seis filhos.