Um possível caso de intolerância religiosa durante o batismo de uma criança no Rio de Janeiro tem chamado a atenção nos noticiários e na internet.

Durante a cerimônia realizada no bairro do Leblon, os pais alegam que o padre se recusou a pronunciar o nome da filha, Yaminah, por não considerá-lo um "nome cristão" e estar "ligado a um culto religioso".

A família registrou o caso na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância como preconceito por raça, cor ou religião.

O padre, por sua vez, negou a acusação, afirmando ter dito o nome durante a cerimônia.

No vídeo, gravado por uma tia, há um trecho em que o padre diz: "Recebe a luz de Cristo... querida criança".

“O padre chamou a minha sogra antes de começar o batismo e falou que ele não falaria o nome da nossa filha porque não era um nome cristão", relatou a mãe, Marcelle Turan.

"A gente foi conversar na sacristia com ele e ele falou que o nome dela estava ligado a um culto religioso e que por isso não falaria o nome dela”, confessou ela.

O nome Yaminah tem origem árabe, derivado de “Yameen”, que significa “direita”, associado a bênção, boa sorte e força.

Com o sufixo feminino -ah, significa “aquela que é abençoada ou afortunada”.

Dicionários clássicos da língua árabe também associam a raiz do nome a conceitos de bem-aventurança e prosperidade.

"Queríamos algo forte, com significado importante. Yaminah significa justiça, prosperidade, direção. É um nome muito bonito, não havia necessidade disso acontecer”, disse a mãe.

Embora incomum no Brasil, "Yaminah" é um nome comum em comunidades muçulmanas e tem variantes em línguas africanas.

O Código de Direito Canônico — a "constituição" da Igreja Católica, promulgada em 1983 — recomenda que sejam evitados nomes "alheios ao senso cristão" no batismo.

“Procurem os pais, padrinhos e párocos que não se imponham nomes alheios ao sentido cristão”, diz um trecho do documento promulgado pelo Papa João Paulo II.

No entanto, especialistas e a própria prática da Igreja no Brasil indicam que essa recomendação não é uma proibição ou impedimento.

“Desde a década de 1980 não é obrigatório ter nome de santo. Qualquer pessoa pode ser batizada com qualquer nome”, explicou ao g1 Rodrigo Toniol, professor de Ciências Sociais da Religião da UFRJ.

Em resposta ao caso envolvendo Yaminah, a Arquidiocese do Rio de Janeiro reafirmou que o batismo foi considerado válido.

A instituição repudiou qualquer tipo de discriminação e reafirmou seu compromisso com acolhimento e respeito à diversidade cultural.