Uma pesquisa arqueológica de quase três décadas revelou as ruínas de um castelo real até então desconhecido em Finlaggan, na ilha escocesa de Islay.

A estrutura, que remonta aos séculos 12 e 13, era um centro de poder dos senhores MacDonald das Ilhas, onde eles proclamavam seus reis.

A pesquisa foi realizada entre 1989 e 1998. Agora, está tudo detalhado no livro "Archaeology of Finlaggan, Islay".

O castelo se estendia por duas ilhas no Loch Finlaggan: em uma delas, havia uma grande torre de pedra usada como fortificação e residência;

Na outra, havia um pátio com cozinhas, uma capela e um cemitério, além de um espaçoso salão onde eram servidos banquetes.

Essas estruturas — como enormes torres retangulares —, típicas da nobreza anglo-francesa, simbolizavam poder e alianças políticas.

As escavações também revelaram ocupações pré-históricas, exploração de minas de chumbo e assentamentos posteriores à Era Medieval.

O estudo foi conduzido pelo Dr. David Caldwell, que destacou a importância do projeto para a compreensão da história da Escócia.

O livro foi publicado pela "Society of Antiquaries of Scotland", instituição fundada em 1780 que tem como missão compartilhar conhecimentos do passado.

Finlaggan e a ilha de Islay estão profundamente ligados à história e à cultura da Escócia, sobretudo no período medieval.

Islay, conhecida como a “Rainha das Hébridas”, é a quinta maior ilha da Escócia e uma das mais importantes do arquipélago das Hébridas Internas.

Sua posição estratégica no Atlântico Norte fez dela um ponto central para rotas marítimas, conectando a Escócia, a Irlanda e a Escandinávia.

Além de sua relevância geográfica, Islay também é famosa por sua paisagem dramática, composta por colinas e praias extensas.

A ilha também é conhecida mundialmente pela produção de Whisky single malt, com destilarias renomadas como Laphroaig, Lagavulin, Ardbeg e Bowmore.

Já a área de Finlaggan fica localizada no interior de Islay, longe da costa acidentada e às margens do lago Finlaggan.

Foi ali que, entre os séculos 13 e 15, se estabeleceu a sede do "Lordship of the Isles", uma espécie de reino autônomo que exercia autoridade sobre grande parte da costa oeste da Escócia e das Hébridas.

Os senhores das ilhas, pertencentes ao clã MacDonald, governavam com relativa independência em relação à Coroa escocesa, sendo considerados quase reis em seu território.

Hoje, o local é preservado pelo "Finlaggan Trust", que mantém um centro de visitantes e promove pesquisas arqueológicas, revelando detalhes sobre a vida política e social da época.