Do caderno à planilha: pai registra todos os gols de Pedro e mira lugar junto a Zico


Um hábito que nasceu dentro de casa, de quem ainda sonhava com voos mais altos, ganhou rigor quase profissional ao longo dos anos. Marcos Guilherme, o Marcão, anota todos os gols de seu filho Pedro, do Flamengo, desde o início da carreira. Ele, inclusive, atualizou a conta no último domingo: com mais dois contra o Atlético-MG, chegando agora a 205 notas em seu documento pessoal.

A prática começou ainda na infância, quando o filho já chamava atenção pela facilidade em balançar as redes. “Ele sempre foi de fazer muitos gols e bonitos, desde pequeno. Já tinha noção que faria bastante. É uma marca da carreira dele desde pequenininho, com cinco anos quando começou. E tinha essa expectativa (de contabilizar)”, afirmou.

Já diante da habilidade e do faro de gol do filho na base, optou por levar devotamente a sério quando o atacante subiu ao profissional do Fluminense. O dia 24 de janeiro de 2017 aparece como primeira anotação no caderno, na vitória por 3 a 2 sobre o Criciúma, pela Primeira Liga. Desde então, nunca interrompeu o controle.

“É um caderninho tipo agenda, não datada, sem espiral. Fui anotando a lápis, mas chegou um tempo em que o caderno estava com bastante anotação… Fiquei com medo de perder, aí passei para planilha. No computador você salva, faz backup e recupera se precisar”, disse Marcão.

Além de Pedro, Marcão também acompanhou as trajetórias dos outros filhos. Victor, irmão mais velho, atuou como zagueiro e jogou profissionalmente por Artsul-RJ, Real Noroeste-ES e Santa Cruz de Natal. Já Thaísa seguiu o mesmo caminho na defesa, passou por Bangu, Botafogo e Flamengo na base — bicampeã carioca no feminino.

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Anotações ganham detalhes

A mudança para o digital trouxe ainda mais detalhamento às anotações de Marcão, que passou a organizar os dados junto a informações específicas. Virou praticamente um trabalho, já que exige esforço — visto os números do filho. Pedro soma 167 tentos pelo Flamengo, 31 pelo Fluminense, um pela Fiorentina, um pela Seleção e cinco pela Seleção olímpica: totalizando os 205 registrados.

“Anoto data, local, adversário, parte do corpo (que fez o gol)… As informações que acho interessante. Quantos gols de cabeça? De perna esquerda? Quantos no Brasileiro? Copa do Brasil? Quantos na pequena área? De fora da área? De pênalti?”, contou ao ge.

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Pedro na artilharia do Flamengo

Rubro-negro de coração, Marcão acompanha de perto e se orgulha da posição do filho na artilharia histórica do clube. O atacante ocupa atualmente o sexto lugar e aparece em uma seleta lista com nomes como Zico, Dida, Romário e Pirillo.

A projeção do pai aponta para voos mais altos: “Acredito que dá para chegar um pouco antes do rei (Zico), em terceiro. Com humildade, mas dá para chegar”, projetou.

1. Zico (1971-1990) – 508 gols
2. Dida (1954-1963) – 254 gols
3. Henrique Frade (1954-1963) – 213 gols
4. Pirillo (1941-1947) – 208 gols
5. Romário (1995-1999) – 204 gols
6. Pedro (2020-2026) – 167 gols
7. Gabigol (2019-2024) – 161 gols
8. Jarbas (1933-1946) – 151 gols
9. Bebeto (1983-1996) – 150 gols
10. Leônidas da Silva (1936-1941) – 149 gols

Pedro vive uma temporada de protagonismo, sobretudo desde a chegada do técnico Leonardo Jardim. Em quatro meses de 2026, já igualou os 15 gols marcados no ano passado, com seis tentos e uma assistência nos últimos cinco jogos. Ele figura como esperança ofensiva para mais uma vitória do Flamengo na Libertadores, desta vez na Argentina, diante do Estudiantes.

E o gol mais bonito?

Marcão não conseguiu definir um favorito da extensa lista, mas, entre os registros, um tem valor especial: o da vitória sobre o Athletico, pela Copa do Brasil de 2022. O gol do atacante classificou o clube à semifinal da competição, que, inclusive, terminou com título rubro-negro.

“Tem muito gol bonito, estava até conversando com a mãe dele sobre isso. Mas acho que foi aquele contra o Athletico-PR, uma meia bicicleta. Além de ser bonito foi muito importante”, relembrou.