Fifa quer abrir capital a investidores privados; familiar de Trump estaria interessado


A Fifa apresentou nesta terça-feira (28) um plano para abrir parte de sua área comercial a investidores privados e recebeu uma resposta imediata da Uefa, que classificou a iniciativa como uma ameaça à governança do futebol. De acordo com o jornal britânico The Times, o projeto prevê a criação de uma nova empresa para administrar os direitos comerciais e operacionais das principais competições da entidade, incluindo a Copa do Mundo.

Batizada de Fifa Forward Enterprise (FFE), a companhia concentraria os ativos comerciais dos torneios organizados pela entidade. A Fifa pretende vender até 20% de participação para investidores estratégicos, enquanto manteria o controle majoritário e o poder de decisão sobre a empresa. Segundo a entidade, o objetivo é ampliar a capacidade de investimento no desenvolvimento do futebol e aumentar os repasses financeiros às associações nacionais.

President Donald Trump poses for a photo with FIFA President Gianni Infantino at the John F. Kennedy Center for the Performing Arts in Washington, D.C. on Friday, December 5, 2025. (Official White House Photo by Daniel Torok)

De acordo com o plano, a operação pode levantar cerca de 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões). A Fifa afirma que os recursos permitiriam elevar significativamente os investimentos destinados às suas 211 federações filiadas no próximo ciclo financeiro. A proposta ainda será submetida à aprovação do Conselho da entidade e das associações nacionais. Para que seja aprovada, precisa da maioria dos votos de seus filiados.

Familiar de Trump interessado na ideia

Um fato, porém, chama a atenção nessa manobra da Fifa. O Thrive Eternal, fundo de investimento administrado por Joshua Kushner, irmão do marido de Ivanka Trump, filha de Donald Trump, presidente dos EUA, é apontado pela própria Fifa como o principal investidor interessado.

Segundo a agência Reuters, a Fifa trabalha no projeto também com o banco JPMorgan e com Greg Maffei, ex-presidente da Liberty Media, para atrair potenciais investidores.

Nesta terça-feira (18), inclusive, a Fifa passou a ser alvo de uma investigação no Congresso dos EUA após parlamentares questionarem a relação entre o presidente da entidade, Gianni Infantino, e o presidente americano Donald Trump. O deputado democrata Jamie Raskin solicitou uma série de documentos à entidade. Além disso, prometeu convocar o dirigente para prestar esclarecimentos sobre possíveis favorecimentos políticos e financeiros envolvendo a Casa Branca.

Uefa reage: ‘A alma e a governança do futebol não estão à venda’

A Uefa reagiu de forma dura ao anúncio. Em nota oficial, a entidade afirmou que a iniciativa “cruza uma linha que as instituições governamentais do futebol nunca deveriam cruzar” e criticou a falta de transparência sobre quem será beneficiado financeiramente pela negociação.

“A Uefa leva este assunto extremamente a sério. Toda Associação Nacional de Futebol também deveria: ligas, clubes, jogadores, torcedores, governantes e todos os que se preocupam com o futuro do jogo. A alma e a administração do futebol não podem ser negociados, especialmente quando não existe transparência sobre quem beneficia financeiramente. Ninguém é dono do futebol. Assim, não cabe à Fifa vendê-lo”, informa um trecho do comunicado da Uefa publicado nas redes sociais.

A proposta também reacende a disputa política entre Fifa e Uefa sobre o controle do futebol mundial. A confederação europeia avalia que a entrada de capital privado pode ampliar a influência de interesses comerciais nas decisões da modalidade, enquanto a Fifa sustenta que a participação dos investidores será apenas minoritária, sem interferência na gestão esportiva da organização.